2003-08-13

Há ideias simples que valem a pena ser acarinhadas.
Principalmente quando correspondem a uma necessidade premente das populações. Na blogosfera lusa já faz falta.
A loucura é um fenómeno raro em indivíduos –
em grupos, partidos, povos e eras, é a regra.

Friederich Nietzsche, Para além do Bem e do Mal

2003-08-12

Começaram as reformas…



O princípio do fim do velho Portugal, já se vislumbra a dinâmica do novíssimo país – produtivo e empreendedor! As elites - dependentes da Fazenda Pública, palavrosas e improdutivas – que se cuidem. Ou dá lucro ou fecha!

O Sr. Ministro da Presidência o Dr. Morais Sarmento dá o exemplo aos seus colegas e a todos os portugueses, dando fim à uma das grandes causas do défice da RTP – o “Acontece”. Esse programeco não apresenta qualquer justificação de existir.

O sinal está dado! Agora é só seguir o rapaz… afinal até tem estilo de condottieri (nada de confusões - condottieri é condutor, aquele que vai à frente, nada mais... ok?)

Reduza-se o orçamento do Ministério da Cultura – ou até que se feche!

Corte-se no mecenato às actividades culturais.

Limitem-se as despesas familiares em livros, discos, cinema, teatro… com excepção do Harry Potter, da colecção OT (para os incultos OT = Operação Triunfo), dos Anjos de Charlie. Quanto ao teatro – e vamos ao Politeama!!!

(Neste quadro nem percebo para que inventaram o “Canal Conhecimento” – fechava-se e pronto!)

Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa reivindicam atentado em Telavive



Propunha o seguinte:
Trocava os israelitas com os bascos! Podia ser que resultasse... O Aznar aturava o Sharon... Os palestinianos e os bascos de certeza que conseguiam a paz uns com os outros!!
Ou outra:
juntava todos radicais e fundamentalistas: castelanistas, bascos, israelitas e Al-Haqsa's... do outor lado do mundo os moderados...
Boa?

2003-08-05

Até à Peneda


Ainda há pouco sem saber de início... enveredei pela descoberta de mais um universo paralelo do que se chamava, no longínquo politiquês do passado século XX, Portugal Profundo.

(Passa a observação de que XX é vinte e não porno - ou talvez tenha sido porno, o último dos séculos porno, que agora no seu final canta no seu estertor, a sua morte. canta não! geme...)

De caminho a Melgaço pela nacional 13 vindo de Caminha e passando mesmo junto de Monção, vira-se algures à direita e fazem-se 22Km em direcção à Peneda, à fronteira do parque. Magnífica transmutação, surpreendente variação suave, esparsando as feridas humanas marcadas na pedra. Ou, no topo, perto dele, os pastos o lado nómada da transumância pastoril... ainda viva.

De caminho, curvamos e contracurvamos por dois vales contíguos, ligados por uma ponte junto à azenha, tornada inútil pelo século vinte. O Tardio, chegado àqueles caminhos há quatro décadas, não mais. A azenha tão sem uso vislumbrámo-la uma ruína. Não parámos o automóvel, não bebemos a alma do ribeiro que passa no fundo - talvez límpido imagino - ficou do quadro a ligeira impressão. Entre a curva e contracurva, a próxima pequena ou grande maison, telhado mais ou menos inclinado, alcandorada se a topografia da courela assim o permite. Na densidade dos caules, donde brotam o verde do milho e da vinha adivinham-se as mãos que trabalham, presentes e permanentes escravos da paisagem.

O que realmente fica é a paisagem o relance para quem passa preguiçosamente com o fito no parque, na Serra. O olhar parasita das mãos dos outros, sedento do verde denso do vale, prenúncio do topo do mundo. Da amplitude de olhar lá do cimo reduzindo o nativo a miniatura de gente, pequeno bichinho hiperactivo, formiguita construtora de paisagens, para gáudio dos olhos mortais, não de gelo, mas de inocente curiosidade de antropólogo amador carregado de teorias incompletas.

Subiu-se muito até ao topo. E as mãos que trabalharam a paisagem do vale são agora os pés que batem os pastos, dos cascos das vacas que os seguem. Os pastos e as árvores e os raros caminhos. Raros são os rasgos na serra, os abrigos de pastor que de tão baixos, feitos à terra, mostram vergonha de não ruírem. Agacham-se escondidos entre dois penedos e um tufo de fetos.

Para manter o mistério o nevoeiro desceu sobre a serra, a cacimba molhava distraída o viajante, o turista de acaso.

2003-08-04

Na última quinta-feira dei por mim uma alma sensível.

Lembro-me dos tempos em que antes de um filmito mais carnudo na televisão, um senhor – ou senhora – avisava os caros telespectadores que este continha imagens que poderiam chocar as pessoas com uma sensibilidade mais susceptível. Chegava mesmo a aconselhar mudar de canal. Sempre achei que ficava no ar a leve sugestão de desligar o aparelho.

Só muito depois, já com a privatização em preparação é que veio a bolinha vermelha.

Apresenta muitas vantagens! Não se perde tempo de antena com um período de baixíssima rentabilidade. Menos 2 minutos de anúncios no mínimo. Não se aconselha a mudança de canal, perigosíssimo para o share. Informa o telespectador que o próximo programa tem suficientes sylicon bodies para pôr a salivar qualquer almita mais susceptível. Deixa no ar a persistente sugestão para não desligar o aparelho, não fazer zapping, a qualquer momento, dentro em breve, pode começar a publicidade.

As imagens chocantes surgem assim de rompante, sem qualquer aviso, no início do telejornal, com a imprevisível realidade. E sem bolinha!

Na quinta-feira foi a minha vez de ser abalroado com a crueza da realidade filmada, satelitalizada e descarregada sobre o meu jantar.

Os incêndios! Aquela dor toda… desliguei – não quis saber!!!

A solução tão perto


Os incêndios queimam sem que haja, aparentemente, travão para esta mancha negra que não pára de alargar o seu lastro de cinza pelo interior do país.

Com tanta água que tem metido, porque não a enviam, e com ela o Sr. Ministro da Defesa, seu autor, resolvendo assim o problema?