2003-09-24

Ainda o aumento das propinas!

Lembro-me que as propinas foram aumentadas quando andava na faculdade. Tal como agora o objectivo era financiar o investimento na melhoria das condições de ensino nas Universidades e concentrar o subsídio público nos estudantes que mais precisassem de apoio. Que pagasse quem podia! A propina era calculada com base no rendimento do agregado familiar. Pretendia o sistema ser um modo de discriminação positiva concentrando o esforço público no apoio aos cidadãos com reais necessidades.

O esquema teve uma enorme fragilidade, a base informacional na determinação do rendimento do agregado, na altura generalizadamente manipulada, a declaração anual do IRS.

Lembro-me de um colega meu que ficou isento de propinas, naturalmente porque fazia parte do grupo das famílias com menores rendimentos. Conduzia um Peugeot 205 RALLY! Coisas do passado, a manipulação das declarações dos rendimentos e a evasão fiscal.

Espero que na sua aplicação prática não seja, novamente, a perversão dos seus objectivos, reduzindo-se a um modo expedito de minorar o esforço público no financiamento das Universidades.
Enviada por de quem tudo prezo, recebi cópia da seguinte posta no Abrupto:

Fardados de estudantes, meia dúzia de dirigentes académicos de Coimbra foram entregar uma pilha de papel higiénico, equivalente ao valor das propinas que recusam pagar, em frente ao Ministério do Ensino Superior. É um bom retrato de como está a Universidade de Coimbra - os estudantes revêem-se elegantemente no papel higiénico como metáfora. Não lhes passa pela cabeça levar uma pilha de livros e dizer "estes são os livros que não posso comprar". Mas não. Eles acham que são irreverentes e engraçadinhos sendo ordinários, e esquecem-se que, no que deixam, se retratam a si próprios.

Para além disso, o tamanho da pilha mostra o valor ridículo do que teriam que pagar.


JPP critica aprofundadamente a forma do protesto dos estudantes. Curiosamente a análise do seu conteúdo resume-se a uma alusão ao “valor ridículo” das propinas.

O protesto dos dirigentes académicos foi infeliz na forma. O valor a pagar, não sendo ridículo, será bastante suportável pela maioria das famílias dos alunos.

Apesar de ter alguma resistência a qualificar de ridículo os valores das propinas que outros irão pagar - de finanças cada um sabe das suas - tenho de concordar com as palavras de JPP. E já somos dois!

2003-09-23

Amin Maalouf: Os jardins de luz


Conta a história de Mani – profeta da tolerância de etnia parta sob a dominação do império dos sassânidas. Conta a história da vitória da intolerância religiosa, da guerra. Descreve o choque de religiões: entre o cristianismo nascente, o zoroastrismo e o budismo.

O autor - libanês, com família árabe-católica – escreveu o livro em 1991, já o Líbano estava destruído.

Absolutamente actual.

2003-09-22

Relatório do Desenvolvimento Mundial 2004


(rascunho)

Prover os pobres de serviços básicos.



Os serviços básicos: saúde, educação, água - faltam aos mais pobres.
Isto significa uma falha dos Estados em servir, equitativamente, os interesses dos seus cidadãos.

Significará a falência dos estado providência? A alternativa é a iniciativa privada? O mercado? As ONG's?

É, decerto, um desafio.

2003-09-19

Com "A moda dos blogs", a siconline não podia ter encontrado melhor representante para a blogosfera: o blogue maravilha, que abruptamente foi apelidado de desinformação. Aquele que muita alma jurou não ler, não mencionar, não conhecer, t’arrenego Satanás!

Entrevistado o responsável pelo site, devidamente protegido pelo anonimato das fontes jornalísticas, e citado na siconline:
"O primeiro documento onde o GOVD (Grupo Operacional de Vigilância Democrática) se dava a conhecer, chegou-me, como todo o restante material, por carta, sem remetente. (…) como não sabia o que fazer com aquilo e como os blogues estão na moda, resolvi ir transcrevendo o que me fosse chegando para o (…)”

Fiquei a saber que o autor da prosa não é o responsável pelo site - um mero testa de ferro.

O Testa de Ferro afirma que não conhece o autor dos textos. Testa de Ferro que o jornalista conhece mas não identifica quem é, por anonimato da fonte. Muito conveniente, quando:
1. ou tudo o que é afirmado é verdade e consta do processo Casa Pia e estamos perante mais uma violação do segredo de justiça;
2. ou tudo o que é afirmado é verdade e não consta do processo. Então o autor não presta declarações às autoridades e fá-las constar? Porquê? E sendo verdade porque é que a primeira vez que aparece na imprensa é de este modo enviezado e turtuoso?
3. ou tudo o que é afirmado é mentira e a siconline acabou de dar relevo a quem não o merece.

Eventualmente com tantas ou mais dúvidas no seu íntimo quanto as minhas, o TESTA continua afirmando, não lhe venha o boomerang acertar na mona:
"Porque acho perigoso vir a pagar por uma coisa que não é da minha responsabilidade. Se viessem a perguntar-me quem está por trás disto teria de responder. Não sei. E embora respondesse com verdade, ninguém acreditaria".

Desculpe Sr. Testa Fonte Anónima, mas não foi a sua mãozinha que no seu ratito fez clique em “Publish”? OU foi uma presença que desceu em si?

E termino perplexo: qual foi o critério jornalístico para a publicação de "A moda dos blogs"?
O nome élfico do meu amor: Eámanë Inglorion
O nome hobbit do meu amor: Bramblerose Chubb-Baggins of Pincup


O meu nome élfico: Finwë Lúinwë
O meu nome hobbit: Sancho Tighfield of Tookbank