2004-02-12



Se o seio de uma mulher escandalizou os norte-americanos, a fé de muitas outras assusta os franceses.
Nada mal para os dois povos que, juntos, planearam e construíram a Estátua da Liberdade.
No dia 5 o SODA chegou ao fim.
Vai fazer-nos falta a observação acutilante, a frase certeira, do Rui.

2004-02-10

A constante depreciação do dólar dos últimos dois anos originou brutais transferências de riqueza entre os grandes blocos mundiais. O arranque da economia norte-americana em 2003 deve-se, em parte, ao comportamento da sua moeda.

Em comparação com os anos noventa, o défice público nos EUA é enorme. Tal deve-se a uma redução efectiva dos impostos sobre a riqueza –um choque fiscal - durante o consulado de Bush. Esta em conjunto com o aumento das despesas militares levaram o défice aos 5% do PIB – recorde-se o historial dos dois mandatos de Clinton com sistemáticos superávites orçamentais.

As necessidades de financiamento das despesa militares do Governo Federal são brutais. Em são parte satisfeitas pela redução de despesas sociais e, na grande maioria, pela corrida dos bancos asiáticos às Obrigações do Tesouro norte-americano.

As economias asiáticas, a China entre elas, têm tido, graças ao crescimento do consumo norte-americano, excedentes comerciais. Resulta um excesso de liquidez que é aplicado na manutenção do défice público norte-americano, que alimenta o consumo privado, e também as importações de bens asiáticos. A estratégia de pagar para ver dos asiáticos, mantém a paridade entre as suas moedas e o dólar, não prejudicando as suas contas externas.

O crescimento norte-americano é induzido por uma política orçamental, que nos padrões comunitários seria passível de censura. Os bancos asiáticos garantem o seu financiamento abundante e barato.

E completou-se o ciclo. As economias asiáticas apanharam a onda da política expansionista norte-americana.

Em comparação o Banco Central Europeu manteve a sua política de contenção e controlo da inflação. A zona euro importou o desemprego criado pela perda nos termos de troca com a Ásia e os EUA, que retardaram o arranque do crescimento. A sua posição fundamenta-se na insustentabilidade a médio prazo da estratégia asiática.

As taxas de juro implícitas nas Obrigações do Tesouro irão subir, por via da dimensão dos défices público e externo nos EUA, com impactos no risco destas aplicações financeiras. A economia americana abrandará, o que se repercutirá nas economias asiáticas em maior escala, por terem sido elas a financiar os actuais défices, a um preço abaixo do par. A solvabilidade do sistema bancário das economias asiáticas corre algum risco neste cenário.

A aposta dos países do extemo oriente está numa mudança de política, quanto mais depresa melhor. Adoptando as medidas de contenção necessárias ao controlo do défice e reduzindo as tensões inflacionistas, o impacto suave e o crescimento sustentável.

Os ciclos eleitorais norte-americanos são determinantes para a conjuntura macroeconómica mundial.

2004-02-03

O Governo dedicou-se, ontem, a juntar irmãos desavindos.

Primeiro, os sindicatos e as confederações patronais pela "iniciativa" governamental para a concertação social. A presença do Sr. Primeiro-Ministro deu um impulso político inescapável, de tal modo que foi já marcada uma próxima reunião para dar sequência às conversações por ora iniciadas.

Mais produtiva foi a iniciativa do Sr. Secretário de Estado do Desporto para dar cobro à calamidade nacional do último Guimarães-Boavista. Resultou da reunião, promovida pelo Governo, que, graças à video-vigilância, é possível identificar os malfeitores, (nos estádios novos - e ainda dizem que foi dinheiro deitado à rua), e indiciá-los criminalmente, se necessário. Mostrou-se disponível, voluntarioso, colaborante e decidido.

Se por um lado o Governo Português confunde negociações laborais com as reuniões da Confraria do Azeite, por outro confunde-se a si próprio com a Direcção da Liga.
Acho que me excedi na posta de ontem!

Afinal há memórias que temos de respeitar.
Podemos não ter grande estima por ele (eu não tenho), nunca ter votado nele (eu nunca), não concordar com a sua opção político-ideológica (eu), mas temos de admitir que Cavaco Silva foi uma excepção de equilíbrio e bom senso, no actual panorama político, quando relembrou o óbvio: ainda faltam dois anos para as eleições presidenciais.

2004-02-02

!!!3 defensoras da classe operária 3!!!



Rosa Luxemburgo


Rosa Luxemburgo, polaca, nascida em 1871, viveu, a partir de 1898, na Alemanha. Tornou-se uma das figuras mais destacadas do movimento socialista europeu. Polemiza com Bernstein através da sua obra “Reforma ou Revolução”. Defende que as relações capitalistas de produção só serão abolidas pela conquista do poder pela revolução. Crítica a organização ultra-centralista dos social-democratas russos, que veio a originar a organização do estado soviético. Lidera as posições contrárias ao envolvimento da classe trabalhadora na 1ª Guerra Mundial. Sendo elemento da “Liga Spartacus”, Rosa Luxemburgo abandona o Partido Social Democrata Independente quando este integra o governo alemão em 1918. Funda-se o Partido Comunista Alemão, que aposta claramente no movimento de massas, defendendo os Conselhos Operários. Em 1919 foi assassinada, alegadamente a mando do governo social-democrata. O seu corpo nunca foi encontrado.

Catarina Eufémia


A 19 de Maio de 1945, Catarina Eufémia Sabino, camponesa alentejana, mãe de três filhos, talvez grávida de um quarto, casada com o cantoneiro em Quintos, António do Carmo, foi assassinada no dia do seu vigésimo nono aniversário pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana. Não se confirma se Catarina Eufémia era ou não militante do PCP. Sabe-se, por certo, que Catarina Eufémia protestava contra a vida de miséria imposta pelo regime pelos agrários. Sabe-se, por certo, que foi morta pelas costas, à queima-roupa.

Celeste Cardona


Nascida em Anadia, em 1951, licencia-se em Direito, área onde posteriormente tira Mestrado. Vogal da Comissão Política do CDS-PP, foi deputada no parlamento europeu e na Assembleia da República. Manteve actividade profissional como advogada e professora de Direito Administrativo e de Direito Fiscal na Universidade de Direito de Lisboa. Em 06/04/2002 é nomeada Ministra da Justiça do XV Governo Constitucional. Em 2003 defende intransigentemente o emprego de 600 funcionários eventuais do Ministério da Justiça e de inúmeros Guardas Prisionais ou funcionários do Instituto de Reinserção Social. Com tais modéstia e sacrifício que só em 2004 é que seus feitos se tornam conhecidos. O nosso bem haja!