2004-03-10
2004-03-08
exames
Considero a avaliação um instrumento importante do processo de aprendizagem e fundamental para a sua melhoria constante. A avaliação individual do aluno servirá também para identificar as fragilidades e corrigi-las.
Preocupa-me a falta de definição das competências-chave de cada ciclo de aprendizagem. Sem ela será difícil identificar o que avaliar e segundo que processos. Estaremos a examinar por examinar, a distinguir por distinguir. Não sabemos se o que marcamos como bom é realmente o que pretendemos.
Acredito que há lugar a momentos formais de avaliação individual escrita, normalizada e igual para todos - os exames. A avaliação contínua, relacional e presencial tem claras vantagens na identificação das capacidades que escapam ao exame escrito. A sua natureza exige a subjectividade do avaliador logo peca pelas diferenças entre diferentes avaliadores, difíceis de controlar. Por razões de igualdade e objectividade o exame é justificável.
As escolas tem a liberdade de adaptar as matérias à comunidade envolvente, havendo a possibilidade de uma multiplicidade de precursos. Esta possibilidade contém o risco de se perder a coerência do sistema e a identificação das competências adquiridas. Acredito que os benefícios desta flexibilização são maiores que os custos, mas momentos chave de normalização e igualização das competências é fundamental. Não quero viver num país em que temas fundamentais para a compreensão do mundo com a geometria e o cálculo, o língua portuguesa, a teoria da evolução, a sexualidade , a ciência ou a literatura sejam competências optativas dependentes do contexto social, religioso e económico em que a escola está inserida. Para isso o exame nacional normalizado é um instrumento muito eficaz.
Acredito que a responsabilização dos cidadãos cria-se com a responsabilização das crianças de forma adequada à idade e ao grau de desenvolvimento. Para o que a avaliação contribui. Acredito que a avaliação deve ser clara e fácil de entender pelos seus destinatários - as crianças e os pais.
Por isso concordo com exames nacionais normalizados ao longo de todo o percurso educativo, e mesmo durante o ensino obrigatório. Deverão ser enquadrados num processo de avaliação completo, que inclua as outras vertentes presenciais, relacionais e subjectivas. Nunca aceitarei o exame como o única forma de avaliar pessoas, alunos ou não.
Devem ser avaliadas, muito cuidadosamente, as consequências do exame para cada aluno. O que acontece aos insucessos, aos alunos com resultados mais baixos, é a principal discussão. Implementar sistema que prejudicasse a inclusão de todos, principalmente dos mais desfavorecidos, seria uma viagem no tempo - 30 anos para o passado.
2004-03-03
3 atentados
Ao atentar-se contra três mesquitas de grande importância para os xiitas, matando dezenas de pessoas, durante a celebração do massacre por sunitas do Imã Hussein, fundador do ramo xiita dos Islão, pretende-se enraivecer a comunidade maioritaria do Iraque. O povo xiita, com uma cultura de glorificação do martírio individual e colectivo é especialmente sensível a esta provocação, claramente premeditada.
A posição da administração norte-americana é, de dia para dia, cada vez mais difícil. A fragilidade do processo de devolução do poder aos iraquianos é consequência directa da falta de planeamento do pós-guerra, o que deu o ensejo e a oportunidade aos terroristas e assassinos de provocarem o medo e a instabilidade no Médio Oriente.
A esperança está na sensatez e colaboração dos líderes xiitas, o que custará caro ao Sr. Bremer, cada vez mais perdido no novelo político criado pelos interesses contraditórios dos três povos do Iraque.
É cada vez mais necessário a divisão em três do Iraque e cada vez mais improvável esta possibilidade.
(ver Diário de Notícias)
2004-03-02
admirável mundo novo
...há quinze anos li-o e ficou-me na memória, não a trama, linear e pouco imaginativa (pouco se pode esperar do Sr. Huxley), nem as personagens... Lembro-me da institucionalização generalizada dos jovens até à idade adulta: criados, educados, orientados e dirigidos em hiper-internatos do Estado... no admirável mundo novo, ao invés do ambiente de controlo castrante do 1984 de Orwell, encontramos a alienação do indivíduo pelo prazer... a massificação dos desejos...
Uma família feliz
Referência ao grotesco (desenquadrado-da-realidade-como-que-a-piscar-o-olho-ao-ridículo-ou-ainda-um-hino-aos-tocadores-de-trombone-profissionais)
Célia tem mãe mas não tem pai. O pai de Célia não existe, mas mora a 12 quilómetros. A mãe de Célia não tem marido mas mora com um homem a quem Célia chama pai. O pai que existe não gosta de Célia. Célia não tem irmão, mas o pai de Célia tem um filho a quem Célia chama pelo primeiro nome. A mãe de Célia não tem filho mas tem filho. O pai que não existe não conhece o pai que existe, por respeito à lei da anti-matéria. A esposa do pai que não existe não é casada e não tem filhos. Não conhece Célia. Mas Célia conhece a esposa que não existe do pai que não existe. Célia chora apenas em frente do irmão que não é irmão. A mãe de Célia chora em segredo, canalizando telepaticamente as suas lamúrias ao marido que não o é e que não existe como pai da sua filha. O marido que tem é intermitente e olha Célia apenas do pescoço para baixo. A mãe de Célia sabe coisas mas não conta.
no Castor de Mármore
Referência ao grotesco (desenquadrado-da-realidade-como-que-a-piscar-o-olho-ao-ridículo-ou-ainda-um-hino-aos-tocadores-de-trombone-profissionais)
Célia tem mãe mas não tem pai. O pai de Célia não existe, mas mora a 12 quilómetros. A mãe de Célia não tem marido mas mora com um homem a quem Célia chama pai. O pai que existe não gosta de Célia. Célia não tem irmão, mas o pai de Célia tem um filho a quem Célia chama pelo primeiro nome. A mãe de Célia não tem filho mas tem filho. O pai que não existe não conhece o pai que existe, por respeito à lei da anti-matéria. A esposa do pai que não existe não é casada e não tem filhos. Não conhece Célia. Mas Célia conhece a esposa que não existe do pai que não existe. Célia chora apenas em frente do irmão que não é irmão. A mãe de Célia chora em segredo, canalizando telepaticamente as suas lamúrias ao marido que não o é e que não existe como pai da sua filha. O marido que tem é intermitente e olha Célia apenas do pescoço para baixo. A mãe de Célia sabe coisas mas não conta.
no Castor de Mármore
2004-03-01
do estado laico
A Turquia é único país maioritariamente muçulmano que se candidatou a uma adesão à União Europeia. Em nome da laicidade do Estado proibiu o uso do hijab pelas mulheres, tal como agora em França.
Enquanto na Turquia esta medida promove a tolerância e a libertação feminina, o Estado francês oprime uma minoria em nome dos receios da maioria.
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