Graças às expectativas sobre o novo governo da república serem tão baixas, assistiremos ao milagre da transmutação da primeira medida que não seja sofrível num momento histórico da Nação.
Aleluia!
2004-07-26
2004-07-23
bons exemplos
Sempre pensei que, apesar dos inúmeros erros de condução política no pós-guerra no Iraque, estávamos perante um exemplo de administração transparente, organizada e fundada na aplicação de regras mínimas de responsabilização. Achei que a potência administrante do território não se permitiria esquecer as mínimas regras da boa gestão pública e democrática. Até porque o período da administração estrangeira no Iraque seria uma extraordinária oportunidade de demonstrar a superioridade das instituições e da administração de cariz ocidental.
Aparentemente tal não aconteceu. Do tão propalado esforço financeiro de reconstrução do país, pelo Congresso dos EUA foram aprovados $18.400 milhões, só uma ínfima parte foi efectivamente aplicada, $400 milhões. O resto do orçamento da Autoridade Provisória teve origem em receitas da venda de petróleo, assim que a ONU permitiu a aplicação das receitas do programa de petróleo por comida.
Em contrapartida a ONU impôs auditorias e supervisão de entidades independentes, o que só veio a acontecer em Abril de 2004. E o resultado da auditoria da KPMG é preocupante.
A contabilização dos $20.000 milhões de receitas do Fundo de Desenvolvimento para o Iraque consistia em folhas de cálculo. Na venda do petróleo, foi incipiente e pouco credível. Foi negado aos auditores o acesso a ministérios apontados como núcleos de corrupção, assim como a relatórios sobre certos contratos de grande dimensão. Ficou por saber o destino de $1.400 milhões pagos à Halliburton.
Uma administração que esqueceu Kyoto, não aderiu ao TPI, não impediu as omissões de Guantanamo e os abusos de Abu Ghraib, não se permitiria a cumprir as mais básicas regras de uma administração justa, democrática e transparente.
As regras são para aplicar em casa e só em casa.
a partir da leitura de “Accounting and Accountability” de PAUL KRUGMAN no New York Times
Uma administração que esqueceu Kyoto, não aderiu ao TPI, não impediu as omissões de Guantanamo e os abusos de Abu Ghraib, não se permitiria a cumprir as mais básicas regras de uma administração justa, democrática e transparente.
As regras são para aplicar em casa e só em casa.
a partir da leitura de “Accounting and Accountability” de PAUL KRUGMAN no New York Times
Ontem, pela hora de almoço, o Sr. Primeiro-Ministro dirigiu-se à Nação congratulando-se com a eleição, pelo Parlamento Europeu, do Sr. Dr. José Manuel Barroso como Presidente da Comissão. Simultaneamente dirigiu-lhe os seus cumprimentos e desejos de sucesso na função, empenhando os esforços do Governo português para colaborar no necessário com o Presidente da Comissão.
Não bastava um telegrama?
2004-07-15
mínimos nadas
Ontem conhecemos mais dois nomes do próximo Governo da República. Para além do Primeiro-Ministro, estão definidas as pastas das Finanças e dos Negócios Estrangeiros. Não são os nomes que fazem ministros, nem a velocidade dos convites ou a ausência de recusas que garantem a sua qualidade.
É mais uma demonstração da triste personalização da acção política a exagerada atenção nacional à novela do convite e da recusa, da canção do bandido e da aceitação ruborizada da donzela.
Faz falta olhar mais para o pensamento e a acção, atender ao programa e às medidas.
São um mistério as grandes orientações do próximo governo, as linhas mestras do próximo Orçamento de Estado e da política económica. Desconhece-se qualquer ideia, um mínimo lampejo que se aproxime de uma estratégia nacional para o desenvolvimento.
Detalhes...
2004-07-01
A qualidade fundamental e imprescindível para um bom exercício de um mandato de Presidente da Comissão Europeia é a capacidade de encontrar consensos e negociar soluções, descobrindo equilíbrios entre interesses diversos e tantas vezes contraditórios.
Com a sua saída trapalhona e apressada do Governo de português, Durão Barroso não terá a melhor das referências...
Com a sua saída trapalhona e apressada do Governo de português, Durão Barroso não terá a melhor das referências...
2004-06-30
O Partido Socialista detém nas suas mãos uma oportunidade rara para demonstrar que é de facto líder da oposição, responsável e preparada para o exercício do poder.
Após os resultados das europeias, o PS será à partida o vencedor das próximas eleições legislativas, sejam em 2004 ou em 2006. Este resultado eleva a fasquia da exigência e obriga a que sejam presentes ao país as linhas orientadoras e os seus elementos, principalmente nas pastas-chave, de um governo PS.
A constituição de um governo-sombra, formado por personalidades, posicionadas na área de influência do PS, permitirá ao Presidente da República aferir, com mais rigor, a qualidade da proposta da coligação PSD-PP. A legitimação democrática da solução encontrada pelo PR será superior caso o povo conheça as alternativas existentes, a sua credibilidade e qualidade, comparando os governos avançados pela actual maioria e pela provável maioria resultante das próximas eleições.
Se em qualquer conjuntura política a existência de governo-sombra é clarificadora das alternativas existentes; agora, estando decidido o abandono de Durão Barroso, seria um contributo valiosíssimo para a legitimação e estabilização do governo do país.
Uma atitude expectante e apática do líder da oposição é indesculpável.
Após os resultados das europeias, o PS será à partida o vencedor das próximas eleições legislativas, sejam em 2004 ou em 2006. Este resultado eleva a fasquia da exigência e obriga a que sejam presentes ao país as linhas orientadoras e os seus elementos, principalmente nas pastas-chave, de um governo PS.
A constituição de um governo-sombra, formado por personalidades, posicionadas na área de influência do PS, permitirá ao Presidente da República aferir, com mais rigor, a qualidade da proposta da coligação PSD-PP. A legitimação democrática da solução encontrada pelo PR será superior caso o povo conheça as alternativas existentes, a sua credibilidade e qualidade, comparando os governos avançados pela actual maioria e pela provável maioria resultante das próximas eleições.
Se em qualquer conjuntura política a existência de governo-sombra é clarificadora das alternativas existentes; agora, estando decidido o abandono de Durão Barroso, seria um contributo valiosíssimo para a legitimação e estabilização do governo do país.
Uma atitude expectante e apática do líder da oposição é indesculpável.
2004-06-28
do dilema
No exercício das funções de Presidente da República, o agora pré-candidato, Pedro Santana Lopes, dissolveria a Assembleia e marcaria eleições antecipadas?
Ou, pelo contrário, aceitaria que o vice-presidente do PSD, Pedro Santana Lopes, fosse indicado como futuro primeiro-ministro? Convidá-lo-ia a formar Governo?
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