2004-08-07

Mote: SILÊNCIO


Cerberus: O chefe dorme...
Coro (suspirando): Oxalá não acorde tão cedo...

2004-08-05

Liberalização dos produtos agrícolas



É cheio de dúvidas que leio a carta de intenções do organização mundial do comércio sobre a liberalização do comércio de produtos agrícolas e seus benefícios para os países em vias de desenvolvimento.

A história é repleta de exemplos de ausência de barreiras ao comércio de produtos agrícolas países menos desenvolvidos e países industrializados. Lembro-me dos períodos coloniais, ou de qualquer outra forma de dominação, em que a liberalização entre as colónias e as metrópoles foram realidades. O resultado foi sempre a monocultura em grandes áreas, acompanhada por exploração da mão-de-obra, destruição de ecossistemas e alheamento das populações das regiões com menor produtividade. As populações que dependem de estruturas produtivas deste tipo vivem ao sabor da turbulência dos mercados internacionais, sem o efeito moderador da diversificação produtiva.

A liberalização do comércio tem provocado não só especialização, mas também a pulverização geográfica da linha de produção. Nos produtos alimentares podemos esperar o mesmo. Com a crescente incorporação de tecnologia, marketing e de serviços nos produtos alimentares, maiores serão as oportunidades para deslocalizar para os países em desenvolvimento as tarefas com menor margem, centralizando a criação de valor nos países desenvolvidos. O preço final do produto alimentar incorpora o preço da semente, da máquina, do petróleo, da investigação, da luta contra as pragas, do transporte, da publicidade, da embalagem, da transformação, da margem da distribuição. Nele a percentagem para a mão-de-obra do trabalhador agrícola é ridícula. É pouco o valor que permanece no país produtor.

E mesmo pequenos, os ganhos da abertura ao comércio não são igualmente distribuídos pelas populações, havendo até sectores dos países em desenvolvimento, à partida globalmente beneficiados, que perderão. Em países com os direitos de propriedade estão pouco ou nada constituídos, com estruturas de poder político frágeis e nada democráticas, a probabilidade da rapina e do saque é elevada. Iremos assistir à expulsão de populações inteiras, à corrupção, ao desrespeito pelos direitos constituídos pelo uso e tradição... A história é rica em exemplos semelhantes.

De qualquer modo, fico feliz como o nosso vizinho JPT no Ma-Schamba, o pouco que ganharão é sempre melhor perspectiva que este nada que sobra, agora, nas mãos dos africanos.

2004-08-03

E a lista de favoritos foi enriquecida:
desassossegada
Fonte das Virtudes
Klepsýdra
O Desenvolvimento Sustentável
sous les pavés, la plage

Sócrates não foi o melhor ministro de ambiente do país, em todos os Governos da República até 2006 (a ver vamos), foi o único.

O texto de Sócrates no Público tem um defeito para quem se apresenta como candidato a candidato a primeiro-ministro: percebe-se bem demais uma visão para o país - mesmo que banal.

O presente e passado recente da governação da República demonstram que a estratégia de sucesso para chegar ao poder é a oposta:
"Queria fazer isto e aquilo, mas não posso."
"Para já faço o contrário do que prometi, mas quando vier a retoma..."
"Havendo as condições, talvez reduza os impostos"

Não se lhe augura grande futuro!

Comentário no Semiramis

2004-08-02

"Isto é só manipulação! Depois de Bush e Blair, nunca mais ninguém me engana!!!"



(reacção típica a Fahrenheit 9/11)


2004-07-26

Graças às expectativas sobre o novo governo da república serem tão baixas, assistiremos ao milagre da transmutação da primeira medida que não seja sofrível num momento histórico da Nação.

Aleluia!