2012-11-18

Tragédia


Fonte: Notícias SAPO
Imagem captada por Miguel Matos
Há acontecimentos trágicos que ultrapassam a nossa capacidade de entendimento e de resposta. Chamemos-lhes atos de Deus, forças da natureza, cisnes negros, incerteza ou imprevisibilidade. O céu caiu-nos na cabeça e deixou-nos com o mundo aos nossos ombros, qual pedra de Sísifo que nem sabemos onde largar. Sentimos que os deuses se viraram contra nós, sem a mínima  hipótese de justa reparação. A tribo une-se e apoia os seus. Seguramos as pontas, reconstruímos as vidas e vamos em frente.

2012-11-16

oito anos

Em 2004 o rasto da esperança do fim da história e da estranha e inexplicável magia do novo milénio ainda nos projetava uma imagem de um mundo entendível. Não tínhamos esta certeza de agora de o céu nos ter caído na cabeça. 

Já na altura, emergiam as mesmas dúvidas e os mesmos dilemas de hoje. Tal como hoje a qualidade das decisões coletivas dependia da discussão dos problemas e das diferentes soluções, dos conflitos e clivagens de sempre. Tal como hoje, era fundamental sermos exigentes e generosos e cada vez mais intolerantes com a incoerência, com a resignação e com a manipulação.

O hiperbólico - com letra minúscula - exagera nos termos e nas opiniões, é assumidamente pessoal, só fala do que lhe interessa e escreve sobre tudo.

Muito se muda para ficar tudo na mesma e o desejo e a ambição de tudo mudar ficam a germinar nestes tempos de mudança.

2004-08-31

mundo ficcional


Para pôr fim à sinistralidade, movimento pró-vida reivindica alterações ao código da estrada. A nova regulamentação levará à completa eliminação da sinistralidade rodoviária.


Proibindo a circulação diversas vias do país, no carreiro de cabras e na auto-estrada, de veículos com velocidade máxima acima de 10Km/h; estes só poderão circular para além dos limites das faixas de rodagem.

Acidentes! Só no passeio... A República não pode admitir esta Lei que dá cobertura à morte de inocentes na estrada.

2004-08-19

It's horrifying to think that the credibility of our democracy - a democracy bought through the courage and sacrifice of many brave men and women - is now in danger. It's so horrifying that many prefer not to think about it. But closing our eyes won't make the threat go away. On the contrary, denial will only increase the chances of a disastrously suspect election.


Paul Krugman no NY Times

2004-08-17

Perspectivam-se tempos difíceis para a economia mundial por via da subida do preço do petróleo. É, em grande parte, resultado da instabilidade da ocupação do Iraque, da situação política na Venezuela e da fragilidade dos regimes autoritários e ditatoriais da Península Arábica.

Mesmo num cenário de estabilidade política e militar no médio oriente, o preço do petróleo teria, em probabilidade, subido. O consumo de energia per capita na China e na Índia cresce e crescerá, sustentadamente, a um ritmo que provocará aumento de preço por via da maior procura. Há uma pressão de fundo para a subida de preço do petróleo inultrapassável, por via de crescimento da procura.
A diferença está no ritmo de subida do preço. Os efeitos da maior procura constituem uma tendência de gradual aumento, o que permitiria a adopção de medidas de adaptação nas economias desenvolvidas, por via de alteração do modelo tecnológico. O mesmo se verificou em resposta aos choques petrolíferos dos anos 70 e 80 do século passado.

Esta crise de estabilidade de oferta teve efeitos súbitos no preço que impedem as necessárias adaptações tecnológicas, em tempo útil, nos países importadores. Os resultados de uma política direccionada para fontes de energia renovável e uma menor dependência das flutuações do preço do petróleo demoram a chegar, enquanto os preços estratosféricos da energia já aí estão. Resta aos países importadores sofrerem os efeitos na inflação, crescimento económico e desemprego da energia cara, enquanto as políticas energéticas responsáveis não produzem resultados.

Ultrapassada a conjuntura política internacional, o preço do petróleo baixará para valores aceitáveis. Apesar de mais altos do que os do início da crise, os preços serão tais que o investimento em energias renováveis deixará, mais uma vez, de estar na ordem do dia.

Esqueceremos que os efeitos graduais do aumento do consumo de petróleo na Ásia manter-se-ão e os países mais dependentes, como Portugal, verão os seus termos de troca numa contínua degradação.

no Público